Deus me livre de ser candidato

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colunista fala sobre politica

O que vem a seguir neste artigo pode parecer desanimador, mas é essencial entender que não cabem mais campanhas amadoras na política atual. Um bom planejamento não apenas torna a campanha menos dispendiosa, mas também muito mais assertiva, aumentando significativamente as chances de vitória. É importante lembrar que uma campanha é como uma corrida de maratona, na qual saber o que fazer a cada etapa é crucial.

Em um mundo onde a política se torna cada vez mais um tabuleiro de xadrez complexo e desafiador, a frase “Deus me livre de ser candidato” ecoa como um mantra para muitos. A intricada arte da política exige conhecimento, habilidade e também uma disposição inabalável para enfrentar os desafios que acompanham a busca pelo cargo almejado. Muitos respiram fundo, alguns até desistem, mas como diz o ditado popular, a história não fala dos covardes. Sigamos…

Planejamento e Estratégia – Como em qualquer jornada desafiadora, começar com um bom planejamento vai fazer toda a diferença. Como costumo dizer sempre: Quem planeja tem futuro, que não planeja tem destino. Na política, isso significa entender não apenas as regras do jogo, mas também os jogadores envolvidos e o terreno onde se joga. O planejamento eficaz envolve uma combinação de pesquisa, estratégia e uma boa dose de astúcia.

A Importância da Pesquisa – A pesquisa é o primeiro passo para entender o eleitorado. Existem dois tipos principais: a quantitativa, que mede a memória do eleitor, e a qualitativa, que é mais indicada, pois mede o desejo das pessoas. Uma pesquisa qualitativa eficiente é um pouco mais cara que uma quantitativa, mas é indispensável para formular uma estratégia vencedora.

Oratória e Marketing – Além de ter um bom planejamento de campanha, um candidato também precisa saber se apresentar. A oratória é uma habilidade indispensável. Lembre-se: o que fere os ouvidos não agrada ao coração. É praticamente impossível fazer uma campanha vencedora sem uma equipe de marketing competente, que saiba destacar as melhores características do candidato e convencer o eleitorado da sua capacidade. É muito pouco provável que um candidato se eleja fazendo apenas postagens nas redes sociais, portanto, se prepare para gastar muita sola de sapato.

Conhecimento Local e Inteligência Emocional – Conhecer profundamente a cidade e os hábitos de seus habitantes é fundamental para apresentação de um programa de governo realista e, acima de tudo, que faça os seus prováveis eleitores sonharem com uma vida melhor no futuro. A inteligência emocional será primordial para enfrentar a guerra de narrativas que inevitavelmente ocorrerá durante as campanhas. A verdade é distorcida nessa nova e pobre dinâmica, na qual, infelizmente, as propostas do candidato são, na maioria das vezes, deixadas de lado.

A Importância de uma Assessoria Eficaz – Ter uma assessoria capaz de filtrar notícias e boatos é essencial. Essa assessoria deve transformar informações, muitas vezes tumultuadas, em tranquilidade para o candidato. Essa tranquilidade gera motivação, que por sua vez se converte em votos. A capacidade de distinguir fatos relevantes de ruídos desnecessários é uma arte que pode definir o sucesso de uma campanha. E, claro, não esquecendo que uma competente equipe jurídica é indispensável. Essa vai garantir que toda a campanha esteja em conformidade com a lei eleitoral e os regulamentos. 

Construção de uma Equipe Coesa – Um grupo coeso, capaz de defender e promover a candidatura em diversos ambientes, é vital. Este grupo deve ser hábil em gerenciar desafios, respeitando, comemorando e, sobretudo, compreendendo que a adesão de antigos adversários só agrega. É preciso lembrar que a política é a soma dos desiguais em busca do resultado. E, aqui entre nós, sabemos que essa é uma tarefa frequentemente repleta de resistência interna. Uma das habilidades mais exigidas de um candidato é ser capaz de, a todo custo, evitar o famoso “fogo amigo”, sempre muito danoso em qualquer campanha.

A Campanha Eleitoral Como Projeto Pessoal – Embora o partido e os doadores sejam importantes, a responsabilidade de colocar a campanha na rua, assim como arregimentar defensores espontâneos do seu projeto é, exclusivamente, do candidato. Por isso, anote, registre e não se esqueça: quem ganha a eleição não é aquele candidato que durante a campanha parece ter o maior número de eleitores e sim aquele que consegue montar o melhor grupo. Se você for capaz de reunir todas as necessidades apresentadas ao longo deste artigo e outras que poderão surgir durante a “gincana” que é uma eleição, então, “Deus me livre de não ter um candidato como você”.

Robson Wagner Publicitário, CEO da W4 Comunicação.

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