Estamos vivendo mais, mas estamos vivendo melhor?

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colunista para a vilas magazine

No ano passado, o planeta alcançou a marca de 8 bilhões de habitantes, segundo levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU). A Índia, por exemplo, superou a China, tornando-se o país mais populoso do mundo.

Ao tempo em que a quantidade de vidas humanas vem aumentando, aumenta também a expectativa do tempo de vida. O Relatório Social Mundial 2023, divulgado pelo departamento para assuntos econômicos e sociais das Nações Unidas, afirma que o envelhecimento é uma tendência global. As pessoas estão vivendo, em média, três vezes mais do que há 250 anos. Em 1950, a expectativa de vida mundial era de 47,1 anos. Em 2023, passou para 73,4 e estudos mostram que deverá alcançar 82,1 anos em 2100. No Brasil, o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em 12 anos (Censo 2022).

Sem dúvida os avanços tecnológicos têm grande parcela de contribuição para o aumento da expectativa média de vida das pessoas, na queda da fecundidade e da taxa de mortalidade. No entanto, onde as políticas públicas não acompanham o rápido desenvolvimento tecnológico, a quantidade de vidas acaba sendo inversamente proporcional à qualidade de vida, gerando grandes abismos entre gerações e classes sociais.

Se, por um lado, a tecnologia aliada a ciência e a comunicação tem prolongado o nosso tempo de vida, através de tratamentos e equipamentos mais sofisticados, por outro, uma grande parcela da sociedade, especialmente os idosos, que não tiveram facilidade de acesso e tempo suficiente para se familiarizarem com a nova linguagem tecnológica, encontram grandes dificuldades de utilizarem boa parte das ferramentas que lhes garantiriam acesso aos seus direitos mais básicos, tornando-os ainda mais dependentes ou praticamente excluídos da realidade digital do mundo moderno.

Diante de uma dinâmica frenética de competição entre os seres humanos e máquinas, em que o tempo parece ser sempre insuficiente para darmos mais atenção a nós mesmos, o que foi planejado para os idosos de hoje e de amanhã viverem melhor? A ausência de políticas públicas mais assertivas para populações mais numerosas e idosas pode ser um grave indicativo de que não nos planejamos para a velhice, ou seja: Não nos preocupamos com a qualidade do nosso próprio futuro. Agora, já somos muitos, somos mais velhos e o futuro chegou.

Medidas urgentes precisam ser tomadas a ponto de se conseguir alcançar e acompanhar a dinâmica do rápido desenvolvimento de sofisticados sistemas, como os de Inteligência Artificial, alinhando necessidades, muitas vezes elementares, de uma faixa etária que parece ter sido esquecida no tempo.

Ou encaramos isto com uma prioridade ou teremos, como resultado, provavelmente a curto prazo, uma grave e irreversível crise, comprometendo a qualidade de vida de uma numerosa população que sequer imagina como tem se dado o rápido processo de transformação ao qual estamos passando.

Hendrik Aquino é designer, jornalista, especialista em planejamento urbano e gestão de cidades pela Unifacs e gestor de projetos pela Unijorge.

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