O poder do voto na transformação das cidades

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colunista para a vilas magazine

Estamos vivendo uma crise de representatividade. O distanciamento entre representantes e representados tem sido demonstrado através do desinteresse de ambos. De um lado, gestores e parlamentares não costumam mais consultar a população antes de tomarem importantes decisões, assim como não prestam contas de forma clara e periódica dos mandatos. Por outro lado, mesmo diante da obrigatoriedade do voto, a grande maioria dos eleitores não se informa, sequer, sobre quais as reais funções de prefeitos e vereadores, representantes mais próximos do nosso dia a dia.

A falta de uma boa comunicação deságua nas eleições, alimentando um ciclo vicioso e nocivo em que candidatos trocam votos por benefícios pessoais, enquanto eleitores, mais criteriosos e exigentes, sequer votam, seja por estarem desesperançosos, diante de um sistema corrompido e, aparentemente, sem solução, seja por já terem desistido e “jogado a toalha”. Houve um tempo em que o descontentamento era externado através de manifestações nas ruas e da anulação de votos. Ao que parece, tal movimento não conseguiu alcançar seus objetivos, pois os candidatos continuam sendo eleitos, independente da quantidade de votos nulos. Talvez, cansados, muitos eleitores decidiram por abrir mão do direito de escolher seus representantes.

Nas eleições municipais de 2016, em Lauro de Freitas, o número de eleitores aptos foi de 118.561, no entanto, apenas 96.773 (81,62 %) votaram, resultando em uma abstenção de 21.788 (18,38 %). Embora, na eleição seguinte (2020), o número de eleitores aptos tenha aumentado para 145.205, votaram 111.002 (76,45%) eleitores, tendo as abstenções saltado para 34.203 (23,55 %) (TSE).

De fato há um grande descontentamento, tanto com o poder executivo como também com o legislativo mas, nem votar nulo nem abster-se do voto tem contribuído com alguma melhora, muito pelo contrário. Os eleitores que se abstiveram na eleição passada, em Lauro de Freitas, caso optassem por escolher um dos candidatos, poderiam ter contribuído para um resultado bem diferente. Na eleição para o cargo de prefeito, por exemplo, o 2º colocado obteve 34.216 votos, quase a mesma quantidade de eleitores que deixaram de votar.

Quem sabe chegou a hora de encarar de frente os problemas e assumir uma posição diante da situação, fazendo a diferença e mostrando que é possível participar de uma grande transformação das cidades em um lugar melhor para se viver?

Hendrik Aquino | Hendrik Aquino, jornalista, especialista em planejamento urbano e gestão de cidades pela Unifacs e gestor de projetos pela Unijorge.

12 COMENTÁRIOS

  1. A solução desse problema chama-se educação. Só quando nossos gestores investirem em educação é que teremos cuidadões conscientes e preocupados com o futuro das cidades e da nação. Caso contrário continuaremos no É dando que se recebe. Infelizmente

  2. uma forma excelente de fazer a diferença. Tenho visto você como um futuro aqui na nossa cidade. E isso digo pelo seu posicionamento como cidadão. Enquanto as pessoas ficarem achando que não tem mais jeito, não iremos melhorar nunca a nossa cidade. Te dou todo meu apoio e espero que seja vitorioso.

  3. A eleição está chegando e espero que as pessoas escolham seus representantes com responsabilidade.
    Você tá no caminho certo amigo!
    Tenho certeza absoluta se você tiver oportunidade de sentar na cadeira de Vereador,vai fazer a diferença.

  4. Exato, a atual gestão tem esse interesse de ter a população desinformada e desinteressada por isso eles ficaram no poder até hoje, mas isso acabou, BORA mudar Lauro , obrigado Hendrik por abraçar essa causa informando, orientando e despertando a população de Lauro , obrigado também ao Vilas Magazine por abrir esse espaço e oportunidade de informar !

  5. Caro Hendrix, saudações.
    Não só sei dessa magnitude do voto cidadão, consciente, como informo também que transferi meu voto pra Lauro pra tentar mudar..fiz política para eleger prefeito e vereadora…junto com vários amigos…fiz meu papel…mas só tive muito desgaste pois a máquina do sistema daqui é muito forte e a turma de Moema ganhou. 4 anos depois vemos que nada mudou. Os mesmos se elegeram. Daí a necessidade de ter eleitores que queiram mudar a cara da cidade. Lauro não comporta mais esse caos administrativo que aí está. Nosso bairro Ipiranga está entregue ao lixo, ruas escuras, falta de asfaltos, drenagem, transporte, ônibus, postos de saúde e escolas.
    Abraço

  6. Olá Hendrix, fico muito feliz em saber que temos pessoas boas como você preocupadas com nossa cidade de Lauro de Freitas e em especial com nosso bairro Ipitanga. O voto é importante mais saber votar é o que vale. A População de Lauro tem que acordar procurar votar com consciencia e sabedoria.Aqui se arrecada muito imposto e se faz muito pouco pela cidade.

  7. O voto é um instrumento que define a vontade da maioria, mas não dar o direito de participação das decisões e das políticas públicas que são criadas em gabinetes. Isolado não representa atitudes, procedimentos e comportamento democráticos. As políticas públicas têm que ter como a premissa da EDUCAÇÃO! Do contrário vai ser “pai e circo”! Só a EDUCAÇÃO oportuniza uma participação efetiva… um abraço e sucesso Hendrik!

  8. Parabéns Hendrik, pelo trabalho que vem fazendo, trazendo informações necessárias neste ano de eleições.
    Vamos Mudar Lauro de Freitas com o voto consciente, responsável e inteligente. Chega de bagunça nessa cidade.

  9. Texto sensato e verdadeiro. Infelizmente, os eleitores conscientes estão abstendo-se do voto, da escolha pelo seu governante. Concordo com seu pensamento Hendrik, mas a pergunta que fica é, como mudar isso? É recente, vem de 2 eleições pra cá. A internet e redes sociais nos mostraram como funciona o sistema, mas é muito importante que a vontade da mudança seja mais forte que a a falta de esperança.

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