“Semana passada mesmo fui para Salvador e consegui levar mais quatro pessoas, o que cabia no carro. Sempre que vou buscar meus remédios procuro saber quem está precisando também e levo. Acho que nós temos que nos ajudar”.

Seu Nivaldo Bispo, 67 anos, é um dos pacientes do Centro Oftalmológico Emaus. Diagnosticado com glaucoma, faz as consultas na sua localidade, mas precisa se deslocar até Salvador para ter acesso aos colírios, algo que segundo a oftalmologista Karla Leite, médica da unidade, não era para acontecer, “até porque, a probabilidade de um paciente parar o tratamento por não ter o colírio é muito grande, e nos preocupa”.
Atendendo na localidade a dois anos de forma voluntária, o trabalho de Karla está hoje voltado principalmente para o tratamento de glaucoma. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 3% da população brasileira acima de 40 anos possa ter glaucoma, doença causada pela lesão do nervo óptico e relacionada à alta pressão do olho, que pode levar à cegueira.
Pessoas com mais de 50 anos, com histórico familiar da doença, afrodescendentes, pacientes com pressão elevada do olho devem se submeter a exame oftalmológico de forma regular. O tratamento da doença é feito com colírios e é oferecido pelo SUS. Em 2015, foram registrados 2,2 milhões de atendimentos.
Durante triagem na localidade, que possui cerca de 20 mil habitantes, foram identificados 220 pacientes com glaucoma. “Para o tratamento ser completo, a parceria com o município deve prever além das consultas, a entrega dos colírios, que tem um valor elevado para esta população, mas é importante destacar que sem os colírios a doença, que não tem cura, continua progredindo. A parceria que temos hoje só contempla as consultas, e em números ainda reduzidos. Quanto aos colírios, os pacientes precisam procurar outras unidades, mas essa tentativa de solução tem sido complicada para eles, e muitos acabam desistindo do tratamento”, completa a oftalmologista.
Fundação Emaus
Com aproximadamente 10 anos de atuação, a Fundação Emaus, coordenada pelo padre Luis Carrescia, começou, de certa forma, através do incentivo dos seus amigos italianos, que queriam ajudar a localidade a partir de sua vocação pastoral.
O nome Emaus foi escolhido em uma passagem bíblica do Evangelho de Lucas, que conta a ida dos discípulos para Emaus, levando a boa nova para Jerusalém. “O nome quer dizer lugar de encontro, esperança de vida”, explica Padre Luis.
A instituição é sem fins lucrativos, com finalidade socioeducativa. Hoje, além do centro oftalmológico, a Fundação conta com unidade escolar, que atende crianças de 3 a 5 anos, estufas para cultivo hidropônico e Centro Polivalente (espaço destinado a prática de esportes, cultura, atividades lúdicas e eventos), onde a instituição fornece regularmente reforço escolar para 50 crianças.
“A Fundação tem finalidade de ajudar as crianças, jovens, disponibilizar o espaço, a clínica… Espero que em breve a parceria se regularize e o trabalho possa ser ampliado, não apenas no atendimento do glaucoma, mas como novos projetos como o Olhar Brasil, que é um atendimento voltado para as crianças, dando inclusive os óculos quando necessário”, completa Padre Luis.