Comprar ‘gato por lebre’ é uma expressão popular que significa ser enganado ao adquirir algo, levando um produto de qualidade muito inferior ou diferente daquele que foi prometido ou anunciado. A frase alerta para o perigo de se deixar levar pelas aparências ou por uma oferta que parece vantajosa, mas é falsa.
Como coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), tenho denunciado o contrato draconiano que foi firmado entre a Petrobrás e a empresa Vibra Energia durante o período em que a extrema direita esteve desgovernando o nosso país (2016-2022).
Eles tiveram o descaramento de privatizar a Petrobrás Distribuidora, que hoje é a empresa Vibra, à qual foi permitido continuar utilizando a marca da Petrobrás nos mais de oito mil postos de combustíveis de nosso imenso Brasil até 2029.
Ou seja: quando você coloca gasolina no tanque de seu automóvel em um posto Petrobrás, você está comprando ‘gato por lebre’, pois o posto não é da Petrobrás, mas sim da Vibra Energia.
Ao longo dos últimos anos a FUP, juntamente com alguns parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) e do PSOL, tentou impedir que a Vibra continuasse utilizando a marca da Petrobrás. Ingressamos com várias ações diretas de inconstitucionalidade, mas pasmem: os processos foram julgados a favor da Vibra.
Foi na gestão de Jean Paul Prates, à frente da Petrobrás, após a reeleição do presidente Lula, que o contrato de venda da Petrobrás Distribuidora foi reanalisado, possibilitando que a atual presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, não renovasse o contrato da Vibra, que pleiteava utilizar a marca Petrobrás até 2039.
A utilização da marca Petrobrás pela Vibra Energia (antiga BR Distribuidora) foi possível por meio de um acordo de licenciamento de marca estipulado no contrato de venda. Essa estrutura inusual é comum em processos de desinvestimento (privatização), onde a empresa compradora adquire o direito de usar a marca original por um período de tempo definido, permitindo a transição de marca (rebranding) sem causar rupturas imediatas no mercado.
No entanto, essa prática gera sérios riscos à imagem da Petrobrás: se um posto com a marca “Petrobras” (operado pela Vibra) vender combustível adulterado ou tiver um atendimento ineficiente, o consumidor associa a experiência negativa à Petrobrás, não à Vibra. Do mesmo modo, políticas de preços elevadas praticadas pela distribuidora privada (Vibra) podem ser erroneamente atribuídas à Petrobrás, que já reduziu o preço da gasolina e do diesel nas refinarias sem que a Vibra reduzisse o valor nas bombas.
Entre dezembro de 2022 e janeiro de 2026, o preço da gasolina teve uma queda de 26,9% nas refinarias, enquanto o diesel acumulou uma queda de 34,9%. Mas essa redução nunca chegou ao bolso do consumidor.
Outro problema grave: o consumidor comum pode não saber que o posto não é mais “da” Petrobrás, gerando um “falso respaldo” sobre as ações de uma empresa privada.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) parabenizou a decisão da Petrobrás de não renovação da licença de uso de marcas para a Vibra Energia. Mas entende que é preciso avançar mais, pois o atual contrato, que se iniciou em 28 de junho de 2019, somente se encerrará em 28 de junho de 2029.
Precisamos cobrar a investigação e a responsabilização pela entrega da Petrobrás Distribuidora e assinatura desse contrato draconiano, além de exigir o afastamento das pessoas envolvidas nesse processo.
Apesar do Conselho de Administração da Petrobrás ter decidido que voltará para a distribuição e comercialização de combustíveis no Brasil, somente com a reestatização da Petrobrás Distribuidora os preços dos combustíveis serão mais justos para a população brasileira.
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PS. Foi uma emoção ímpar e única.
Tive a honra de participar, na Marquês de Sapucaí, da homenagem que a escola de samba Acadêmicos de Niterói fez ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agradeço imensamente ao companheiro Wallace Palhares, presidente da Acadêmicos, pelo convite que me fez. Tive o prazer de conhecê-lo em Guarajuba e depois apresentei a ele outras regiões do litoral norte da Bahia, a exemplo de Barra do Jacuípe, um local pelo qual ele ficou apaixonado.
Nunca tinha tido essa experiência de desfilar no sambódromo, e pisar na Marquês de Sapucaí homenageando essa liderança nacional, que se tornou o maior líder popular do mundo, é motivo de muito orgulho para mim, que ganhei esse presente de aniversário (em fevereiro completei 46 anos de idade, curiosamente a mesma idade do meu partido, o PT, que também faz aniversário em fevereiro).
Lamentavelmente, a escola foi muito perseguida, a ponto de Wallace Palhares estar recebendo até hoje ameaças de morte de uma extrema direita muito bem organizada, que utiliza as redes sociais em sua plenitude, através da Meta, do Facebook, do Instagram e do WhatsApp.
Deyvid Bacelar é baiano, coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), técnico de Segurança admitido por concurso na Petrobras em 2006, graduado em Administração pela UEFS, com especializações em SMS no IFBA e em Gestão de Pessoas na UFBA, membro dos Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) e Conselho de Participação Social (CPS) do governo Lula.


