Energia para um mundo melhor

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a bahia se destaca economicamente no cenario nacional

Petroleiros e petroleiras de todo o país referendaram, na tarde do último dia 20/7, a minha pré-candidatura a deputado federal, juntamente com o aval ao nome do meu companheiro de luta Radiovaldo Costa, pré-candidato a deputado estadual pelo PT na Bahia. A decisão foi tomada durante a abertura do 20º Congresso Nacional da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras, o CONFUP, realizado no Clube de Empregados da Petrobras, em Stella Mares.

O congresso, com o tema “Brasil Soberano – Energia para um Mundo Melhor”, marcou a minha despedida da direção da FUP. E confirmou o nome de Cibele Vieira como a primeira mulher a assumir a coordenação geral da Federação.

Todos e todas vocês já devem saber os meus compromissos. Quero levar a voz de quem trabalha para a Casa onde se fazem as leis. Penso que a eleição de nós, sindicalistas, é decisiva para mudar o perfil do Parlamento. O Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas tomam decisões que definem salário, jornada, transporte e energia de 215 milhões de brasileiros. Quando essas casas são ocupadas apenas por empresários, herdeiros políticos e lobbies, o debate fica distante da realidade de quem bate cartão.

Por isso a presença de representantes sindicais na política institucional não é um detalhe. É garantia de que a voz de quem trabalha chegará onde as leis são escritas.

Ao longo dos últimos anos lutamos exaustivamente pelo fim da escala 6×1. Como se sabe, a proposta já passou pela Câmara e está parada no Senado. Na minha visão, a 6×1 é desumana, anacrônica e insustentável. Esgota o corpo, destrói a convivência familiar e adoece o trabalhador e a trabalhadora mentalmente. Todos sabemos que os países que reduziram a jornada ganharam produtividade, ao contrário do que afirmam os conservadores.

Na França a jornada de 35h é lei desde 2000; na Alemanha, metalúrgicos conquistaram a semana de 28h; Portugal testa desde 2023 a semana de 4 dias no serviço público; Espanha e Bélgica já permitem a opção pelos 4 dias sem corte salarial.

Ou seja: ter sindicalistas no Congresso significa ter quem apresente esses dados, pressione relatores e impeça que o texto seja esvaziado por emendas patronais. Sem eles, a PEC 221/2019 corre risco de virar letra morta.

Outra bandeira que defendemos é a Tarifa Zero no transporte público. E aqui listarei apenas três argumentos: o peso do transporte no orçamento familiar, que pode chegar a 20% do salário mínimo; o impacto do transporte vazio para a cidade, com mais carros e poluição; e as experiências bem-sucedidas em Maricá-RJ, Caucaia-CE e Vargem Grande Paulista-SP.

Sei também que o financiamento pode vir da realocação de subsídios, verbas de publicidade e arrecadação sobre combustíveis e grandes empresas. Onde a Tarifa Zero foi implantada, aumentou o acesso ao emprego, à escola e à saúde. Para o trabalhador, é aumento real de renda sem depender de reajuste.

Defendo também a transição energética justa, tema que, como petroleiro que sou, discuti bastante nos últimos anos. Por isso afirmo que a transição energética precisa vir acompanhada de justiça social a partir de três pilares.

Primeiro, reduziremos o preço dos combustíveis com a reestatização de refinarias privatizadas nos governos Temer e Bolsonaro e o retorno da Petrobras Distribuidora para a Petrobras.

Segundo, incluiremos a agricultura familiar na cadeia de oleaginosas para o biodiesel. A produção de mamona, pinhão-manso e soja não pode ficar só nas mãos do agronegócio. A agricultura familiar tem terra, mão de obra e capilaridade. Inseri-la garante renda no interior, desconcentra lucro e barateia o combustível.

Vamos gerar emprego verde. Painel solar, energia eólica e biocombustível precisam de metalúrgico, eletricista, caminhoneiro e técnico agrícola. Ou seja: novos direitos trabalhistas, não à precarização.

Como podem ver, sem representantes que conheçam a porteira da roça e a porta da fábrica, o Brasil corre o risco de fazer uma transição que beneficia só grandes fundos e deixa o trabalhador pagando a conta.

Ter sindicato no parlamento não é aparelhar o Estado, é devolver ao Estado o endereço de quem ele deveria servir primeiro. É ter quem diga na tribuna que 6×1 mata, que ônibus caro isola, que energia cara empobrece e que o campo pode ser parte da solução climática.

O Brasil deve seguir o exemplo de países que avançaram em direitos trabalhistas e energia limpa com forte presença sindical. Democracia só se completa quando quem vive o problema também vota a solução.

Deyvid Bacelar é baiano, coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), técnico de Segurança admitido por concurso na Petrobras em 2006, graduado em Administração pela UEFS, com especializações em SMS no IFBA e em Gestão de Pessoas na UFBA, membro dos Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) e Conselho de Participação Social (CPS) do governo Lula.

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