Sua residência está preparada para a longevidade?

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arquiteta avila se sua residencia esta preparada para a longevidade

Não estamos preparados para envelhecer, nem para ver o outro envelhecer. Para pensar em uma vida mais longeva, não basta apenas observar a fisiologia do envelhecimento, a saúde do corpo ou a capacidade funcional; é imprescindível olhar também para o ambiente em que vivemos.

Como está sua residência hoje? Está acolhendo ou criando barreiras?

Estamos envelhecendo; e também nossos pais, irmãos, tios e amigos. Então, é primordial o cuidado no local que habitamos, pois as barreiras arquitetônicas podem estar em nossas casas sem que percebamos os riscos de acidentes ou as dificuldades de uso e acesso, principalmente para pessoas com 60 anos ou mais e com deficiência.

Portanto, é fundamental analisar a interação entre o indivíduo e os espaços. A adaptação de uma residência ao longo da vida prolonga nossa qualidade de vida, garantindo dignidade e trazendo benefícios nos aspectos físico, sensorial, cognitivo e social.

No contexto do envelhecimento, a população idosa no Brasil é estimada em cerca de 34,1 milhões, IBGE (2024)¹. Além disso, as previsões da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 28% das pessoas idosas sofrem ao menos uma queda por ano, em média 9 milhões de ocorrências no país². Diante do exposto, um exemplo de risco no lar que muitas vezes passa despercebido está nos pisos com desníveis sutis ou escorregadios, podendo ocasionar tropeço ou queda, sobretudo para pessoas com mobilidade reduzida ou com deficiência. Esses dados reforçam a importância de investir em prevenção e cuidado, pois uma simples adequação no ambiente é capaz de fazer uma grande diferença na segurança e na autonomia de uma pessoa. Essa visão sustenta minha atuação profissional e a campanha “Um Olhar Consciente para a Pessoa Idosa”, da qual sou idealizadora. Desde 2019, convido profissionais de diferentes áreas da saúde para ressaltar o significado do envelhecimento ativo e saudável; ampliar a conscientização sobre os cuidados com o corpo, prevenção de quedas e o ambiente residencial para uma vida longeva e com qualidade.

A arquitetura e a acessibilidade voltadas à longevidade devem ser consideradas desde a concepção do projeto. Entretanto, quando falamos de edificações existentes, é possível identificar obstáculos por meio de uma avaliação de riscos e, a partir dela, planejar adequações essenciais para tornar o ambiente mais seguro e acessível.

A campanha também atua em atividades que fortalecem a promoção da vida: geroarquitetura, psicogerontologia, psicoarquitetura e engenharia diagnóstica, além de palestras, artigos científicos, lives e podcasts. Uma residência planejada para acompanhar as diferentes fases da vida pode, em vez de criar barreiras, favorecer o convívio e proporcionar mais autonomia, conforto, segurança e bem-estar. Quem ama cuida, e prevenir é cuidar; é para todas as pessoas e uma responsabilidade de todos. A arquitetura que pensa na longevidade não projeta apenas espaços para o futuro. Ela cuida da qualidade de vida no presente.

Rosiane Sanches, arquiteta e urbanista (CAU/BA), patologista das construções, pós-graduanda em acessibilidade arquitetônica e urbanística, docente SENAI, técnica em edificações, membro ADPAT Brasil. arquiteta.rosianesanches@gmail.com @rosianesanchesarquiteta

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