Muitas famílias que chegaram em Itacimirim nas décadas de 70 e 80 testemunharam as transformações urbanas e a mudança nos antigos costumes na bucólica vila de pescadores, guardando como relíquias memórias afetivas que atravessam gerações. Algumas empreenderam, abrindo negócios, mantendo vivas lembranças de pescarias, festas, lual na praia, acampamentos e o convívio solidário com vizinhos. Destacamos a seguir alguns personagens dessa identidade comunitária que vai sendo construída em diferentes contextos históricos. Apesar da saudade do passado, nas famílias prevalece até hoje o amor ao lugar e o compromisso com a qualidade de vida para todos e o respeito ao patrimônio ambiental para as futuras gerações.

A casa do falecido Adyr Teixeira Braga e de Maria da Glória Lemos Braga (89 anos), na entrada de Itacimirim, onde hoje moram o casal Heloísa Braga (filha) e Marcelo Poletto, o filho deles, Kim Poletto e d. Glorinha (viúva), já tem 40 anos. Além da decoração aconchegante, a grande atração do agradável ambiente é o florido flamboyant que d. Glorinha exibe aos amigos com orgulho de ter plantado junto com o amado marido. A casa ajuda a contar a história de muitas famílias que criaram raízes por aqui, com muito trabalho, e de alguns empreendedores, e seus filhos e netos que testemunham as transformações de Itacimirim e deliciosas lembranças.
O Juíz de Direito Pedro Pascasio de Oliveira construiu sua casa de 400 m2 em 1978, na atual Rua da Felicidade no Loteamento Praia de Itacimirim. O ambiente, cercado de belas plantas e afetos, foi o cenário para as gerações da família se encontrarem. Sua filha, Maria Virginia Matos Oliveira Costa, 77 anos, bacharela em Letras e amante da natureza, era veranista desde a construção do imóvel quando vinha com primas, tias e toda a família. Moradora desde 2018, hoje aposentada, se dedica à família, aos seus cachorros, a caminhadas e é assídua nos mutirões de limpeza de praia, como ativista ambiental do Coletivo Preserve Itacimirim, organização não governamental criada há 5 anos em Itacimirim. (Foto de capa: Virgínia Costa mantém o amor às plantas e animais e atua na preservação ambiental de Itacimirim)

Arno e Iolanda Dreschers chegaram em Itacimirim em 1999 para construir a Pousada Jambo (@pousadajambo) na Praia da Espera e semear sonhos em família. No Réveillon de 2000 abriram as portas e se mantêm até hoje, cultivando plantas, arte em cerâmica, livros, amigos e clientes. No muro do quiosque do condomínio onde moram, ao lado da pousada, uma declaração de amor à Itacimirim em forma de poema, escrito por ela, que é artista plástica e amante da natureza e dos ipês.


