O Momento da Colheita

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a bahia se destaca economicamente no cenario nacional

A Bahia tem se destacado, nos últimos 20 anos, como um dos principais estados brasileiros no cenário econômico, com uma matriz diversificada que inclui uma agropecuária destacada; indústria de alimentos e bebidas; química e petroquímica; indústria automotiva, de celulose e de mineração; indústria de petróleo e gás ou de energias renováveis. Nosso estado tem recebido investimentos significativos em diversos setores da economia, o que tem gerado impactos positivos não apenas na geração de energia, mas também no desenvolvimento social e econômico.

Como membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) e do Conselho de Participação Social (CPS) do governo do presidente Lula, tive o privilégio de acompanhar o plantio e também ajudei a espalhar as sementes, no momento em que era fundamental atrair investimentos para a manutenção de nossas infraestruturas petrolíferas ou para a reestruturação de equipamentos que foram abandonados pela política de terra arrasada dos governos Temer e Bolsonaro.

Mobilizamos a sociedade civil, através da presença contínua e decisiva nas audiências públicas, o que possibilitou a retomada das atividades do Estaleiro Enseada do Paraguaçu e do Canteiro de São Roque, em Maragogipe, onde estão sendo investidos agora R$3 bilhões na construção de seis embarcações que darão suporte às plataformas da Petrobras.

Também trouxemos de volta para Camaçari a Fafen – Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados e estamos lutando para que a Petrobras reestatize a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), que foi vendida pela metade de seu valor ao Grupo Mubadala, dos Emirados Árabes. Nossa participação na elaboração do Capítulo Energia, do programa de governo do presidente Lula, ressaltou a Bahia como o principal vetor brasileiro no setor de energias renováveis, com projetos significativos de energia solar e eólica, aproveitando o potencial natural da região.

A Bahia, como se sabe, possui condições ideais para a geração de energia solar, com altos índices de radiação solar durante todo o ano. E também tem se tornado um polo importante para a geração de energia eólica, atraindo investimentos e criando empregos.

Mas precisamos avançar no diálogo com a agricultura familiar, com os povos ribeirinhos e com as representações quilombolas e indígenas para garantir que os projetos promovam a inclusão de toda essa população num processo de transição energética justa, que gere emprego e renda nas regiões mais pobres do país, através da construção da nova indústria brasileira, caracterizada, por exemplo, pela refinaria verde que irá produzir combustíveis do futuro sem uma gota de petróleo, por fábricas de aerogeradores, hidrolisadores, placas fotovoltaicas ou baterias para veículos elétricos.

Penso que essa nova fronteira que surgiu com a descoberta do potencial petrolífero da Margem Equatorial deva financiar os projetos de transição energética no Brasil. Urge também que ocorra imediatamente a transferência de tecnologia para o Brasil, visto que o país apresenta atualmente 86% de sua matriz energética a partir de fonte limpa ou renovável, mas a tecnologia de exploração das energias renováveis está concentrada na Alemanha, na China e em grandes indústrias estrangeiras, gerando emprego em outros países, e não no Brasil.

Quando ajudamos a construir o capítulo Energia do programa de governo do presidente Lula, com ampla participação das lideranças sindicais ligadas ao setor energético brasileiro, já discutíamos um novo modelo de descarbonização e implantação de uma transição energética justa. Sabemos que 76% dos gases de efeito estufa no Brasil são causados pelo mal uso da terra e desmatamento ou queimadas.

Apesar do cenário positivo, existem desafios a serem superados. A transição energética, com a crescente demanda por fontes renováveis, exige investimentos contínuos em tecnologia e infraestrutura. Além disso, é crucial que o estado continue a promover políticas públicas eficazes para garantir a sustentabilidade e a inclusão social.

A Bahia está em um momento crucial de sua história energética. Com os investimentos realizados e os projetos em andamento, o estado tem a oportunidade de consolidar sua posição como um líder na produção de energia, tanto no setor de petróleo quanto no de energias renováveis. A chave para o sucesso está em equilibrar o crescimento econômico com a responsabilidade social e ambiental, garantindo que os benefícios sejam amplamente compartilhados e que os empregos gerados sejam de qualidade.

A Bahia está colhendo os frutos de anos de investimentos e esforços no setor energético. Com uma abordagem que prioriza a sustentabilidade e a inclusão social, o estado tem o potencial de se tornar um modelo de desenvolvimento energético para o Brasil. É um momento de otimismo, mas também de responsabilidade, para garantir que o futuro da energia na Bahia seja sinônimo de progresso e bem-estar para todos.

Deyvid Bacelar é baiano, coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), técnico de Segurança admitido por concurso na Petrobras em 2006, graduado em Administração pela UEFS, com especializações em SMS no IFBA e em Gestão de Pessoas na UFBA, membro dos Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) e Conselho de Participação Social (CPS) do governo Lula.

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