Por uma vida com mais tempo livre para viver

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a bahia se destaca economicamente no cenario nacional

Há exatos 140 anos, 350 mil trabalhadores de Chicago realizaram uma greve geral que parou os Estados Unidos no dia 1º de maio de 1886. A luta era por uma jornada de trabalho de oito horas diárias, mas os patrões não cederam, teve repressão violenta, mortos e a história então registrou esses heróis da classe trabalhadora como os “Mártires de Chicago”.

A data me leva a pensar em Pepe Mujica e na luta que estamos travando agora pelo fim da escala seis por um (6 x 1) no Brasil. É absolutamente insano que em pleno 2026 ainda não tenhamos conseguido garantir dois dias de descanso semanais para a classe trabalhadora. Mujica dizia que era fundamental termos tempo livre para viver, não só para produzir. “Tempo é a única coisa que não se compra. Você pode comprar um carro, um celular novo, pode comprar roupas, mas não pode comprar mais 5 anos de vida”, dizia o líder uruguaio.

Foi Getúlio Vargas quem institucionalizou o 1º de maio em 1943 assinando a CLT nessa data. Mas tudo foi conquistado historicamente com muita luta e muito sangue derramado: férias, 13º, FGTS, jornada de 8h, nada caiu do céu. Por isso que, no dia Primeiro de Maio, virou tradição nos encontrarmos nas ruas, reivindicando melhores condições de trabalho e de qualidade de vida para todos e todas. Mas já temos muito a comemorar desde que o presidente Lula retomou as rédeas de nosso país: salário mínimo com ganho real, desemprego no menor patamar em anos (5,1%); inflação sob controle (IPCA em 4,14% em 12 meses); PIB crescendo (+2,3% em 4 trimestres).

Estive em Brasília no dia 15 de abril para participar da Marcha da classe Trabalhadora pelo fim da escala 6 x 1 e tive o prazer de perceber que ao meu lado estavam mais de 20 mil pessoas defendendo essa pauta que busca implantar em nosso país a tão sonhada redução de jornada de trabalho sem redução de salário.

Ao lado de representantes das centrais sindicais, participei de uma reunião com o presidente Lula, entregando e apresentando a ele a Pauta da Classe Trabalhadora, tendo como principal tema essa redução de jornada de trabalho sem redução de salário. Na noite anterior à Marcha, o presidente Lula apresentou ao Congresso Nacional um projeto de lei, em regime de urgência, defendendo o fim da escala seis por um e a redução de jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. Ou seja: dois dias de folga remunerados, preferencialmente aos sábados e domingos.

Isso é um avanço muito significativo. A última vez que o Brasil discutiu redução de jornada de trabalho foi durante a promulgação da Constituição de 1988. De lá para cá tivemos avanços diversos no setor de tecnologia, implantação da indústria quatro ponto zero e da Inteligência Artificial nas áreas operacionais e, por tabela, o aumento da produtividade. No entanto, a mais valia gerada com o aumento de produtividade não proporcionou nenhum avanço no sentido da modernização da legislação trabalhista para proteger os trabalhadores. Pelo contrário: tivemos retrocessos com a carteira verde amarela (modalidade de contratação de jovens entre 18 e 29 anos, proposta em 2019, que desrespeitava direitos trabalhistas); ampliação da terceirização das atividades fins; uberização e pejotização; mudanças na legislação trabalhista e fragilização e asfixia do movimento sindical.

Precisamos pressionar o Congresso Nacional pela aprovação e refutamos a declaração do presidente Paulo Skaf, da FIESP, que disse que haverá desemprego no país. Trata-se de uma falácia. Em outros países do mundo essa discussão já não cabe mais. Há países que reduziram a jornada para 36 horas. O Brasil é que ainda está atrasado. A tendência é que mais empregos sejam gerados.

Fizemos uma belíssima manifestação que demonstrou a força do movimento sindical e que com certeza surtirá efeito no Congresso Nacional, que vai ter de se movimentar em 45 dias para votar o fim da escala seis por um, ainda que a extrema direita esteja tentando procrastinar essa votação, travando a pauta do Congresso. Vamos às redes sociais, vamos às ruas, pressionar esses parlamentares que são inimigos do povo para que essa mudança na legislação seja logo aprovada.

Nunca é demais lembrar o quanto é bom termos um presidente do país que foi sindicalista e que reconhece as necessidades que o povo trabalhador tem.

Tenho visto e ouvido vários comentários de pessoas que trabalham no comércio, nos aeroportos, nos restaurantes, nos shoppings, e todas elas estão esperando essa libertação, ansiosos por ter mais um dia de folga, para que possam desfrutar de uma vida para além do trabalho.

Deyvid Bacelar é baiano, coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), técnico de Segurança admitido por concurso na Petrobras em 2006, graduado em Administração pela UEFS, com especializações em SMS no IFBA e em Gestão de Pessoas na UFBA, membro dos Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) e Conselho de Participação Social (CPS) do governo Lula.

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