
AMBIENTALISTAS EM AÇÃO
Rodrigo Chetto (esq.), fundador do Projeto Essa Praia Também é Minha, e o professor Henrique Moitinho, do Projeto Ilhas, juntos na 40ª edição do Projeto Essa Praia Também é Minha. A ação ocorreu na Praia de Vilas do Atlântico, com a participação da sociedade civil, com conscientização de frequentadores da orla e coleta de resíduos descartados de forma incorreta.
………………………………
Lá….
O lado profano está engolindo o lado sagrado de todas as nossas manifestações tradicionais
Nada contra essa mistura tão natural e autêntica da nossa Bahia: o sagrado e o profano sempre coexistiram. Aliás, juntos eles criaram uma das características mais marcantes das nossas principais festas tradicionais, como a própria Lavagem do Bonfim.
Então, como eu disse, nada contra a mistura do sagrado e do profano em Salvador e toda Bahia. Porém, precisamos acordar para uma realidade preocupante: o lado profano está engolindo o lado sagrado de todas, absolutamente todas, as nossas manifestações tradicionais.
Essa diminuição radical do Cortejo das Baianas na Lavagem do Bonfim é apenas um dos sintomas dessa nova realidade. Porém, é possível notar os efeitos destrutivos também nas outras lavagens e festas de largo. Até a nossa festa de Iemanjá, no Rio Vermelho, já dá sinais de que está perdendo seu aspecto sagrado e sendo engolida pelas festas e mais festas ao seu redor.
Algumas festas de largo, antes tão ricas em manifestações culturais, já viraram apenas festas para beber, comer e assistir shows e paredões. 99% das pessoas que frequentam não fazem ideia do significado histórico da festa, da sua importância cultural. Vão pela diversão, pelo entretenimento puro e simples.
Além disso, o uso político dessas festas é outro aspecto preocupante, especialmente no nosso grande desfile cívico do 2 de Julho, já transformado em palanque antecipado das eleições municipais ou estaduais.
A situação é gravíssima, fruto do absoluto descaso com as nossas tradições.
Trago essa reflexão porque essa realidade destrói a base da nossa identidade cultural. Se algo não for feito, com máxima urgência, pelo poder público municipal e estadual, em mais alguns anos a parte sagrada das nossas festas será ainda mais diminuída, perigando até sumir. E aí o golpe será duríssimo na nossa história e memória.
Louti Bahia @amoahistoriadesalvador.
………………………………
E cá….
418 anos e Lauro continua sem projetos de preservação
Lauro de Freitas completou em janeiro 418 anos de história. A Festa do Padroeiro, Santo Amaro de Ipitanga segue viva, resistindo ao tempo, mantendo a fé e uma parte importante da nossa identidade cultural. Tenho acompanhado a presença de gestores públicos apoiando e participando de movimentos culturais em nossa cidade. Ações importantes, necessárias e simbólicas.
Algumas dessas manifestações representam o passado, a memória e a formação cultural do povo ipitanguense. E memória não se preserva apenas com presença pontual em eventos ou discursos. Preservar memória exige políticas públicas contínuas e eficazes. Estar ao lado dos produtores culturais e artistas apenas nos dias de festejo é pouco. É preciso caminhar junto durante todo o ano, com oficinas, rodas de conversa, editais permanentes, apoio financeiro e ações constantes. A educação, cultura e o turismo, por exemplo, precisam andar de mãos dadas com a preservação da nossa história e da nossa cultura. Se não compartilharmos com as novas gerações quem somos e de onde viemos, o esquecimento continuará sendo regra.
São 418 anos de história. Quatro séculos de memória. Mesmo assim, Lauro de Freitas segue sem um núcleo de patrimônio histórico e cultural estruturado. Não temos um museu municipal nem um centro de memória capaz de preservar, pesquisar e contar a trajetória de nosso território e nossa gente.
Muita coisa já se perdeu. Outras tantas estão se perdendo. Os produtores culturais da cidade estão cansados. Cansados de cobrar, de insistir e de lembrar que a preservação da memória precisa fazer parte da rotina da gestão pública e não apenas do calendário de festas.
O legado precisa ser valorizado, fazer parte das políticas públicas. A cidade que ignora a própria história compromete seu futuro. Celebramos a festa do padroeiro, mantemos viva a fé e a tradição graças ao povo, mas a história de Lauro de Freitas não pode sobreviver apenas da resistência popular. Institucionalmente nossa memória segue esquecida. E memória quando se perde não se recupera.
Márcio Wesley, Jornalista com MBA em comunicação, professor de artes.

………………………………
Na pausa do almoço no restaurante Oscarito – referência em Vilas do Atlântico e um dos pontos de distribuição das edições mensais da Vilas Magazine –, a pequena leitora nos brinda com sua atenção, folheando a edição de janeiro, mostrando que o conteúdo de nossas edições agrada variadas gerações. Muito obrigado.
………………………………
Autocuratela: segurança jurídica ao patrimônio familiar
Cartórios de notas em todo o país estão passando a orientar e emitir comunicados sobre a autocuratela – um instrumento que ganhou força após regulamentação do Conselho Nacional de Justiça. Na prática, a autocuratela permite que a própria pessoa, enquanto lúcida e capaz, registre em cartório quem deseja que seja seu curador, caso venha a perder a capacidade no futuro. Isso muda completamente o cenário de conflitos familiares, porque a vontade fica documentada, o juiz deve considerar essa escolha, o patrimônio não fica sem gestão e a família não decide “no susto”. Importante: A autocuratela não elimina o controle judicial, mas orienta a decisão do juiz com base na vontade da própria pessoa. Por isso, hoje os cartórios recomendam que pessoas com bens, empresas ou investimentos incluam a autocuratela no seu planejamento patrimonial e sucessório.


