Longevidade ativa: Busca por autonomia e praticidade aquece mercado imobiliário; Vilas do Atlântico está entre as escolhas do público 50+

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lauro de freitas se destaca como escolha de moradia para pessoas com mais de 50 anos
Kose Drone imagens aéreas / Breno Teixeira

O Brasil passa por uma acelerada transformação demográfica, na qual se estima que, em três anos, o número de pessoas com 60 anos ou mais deve passar o de crianças e adolescentes com até 14 anos. E se, ao ler essa informação, a sua mente perpassa pelo estereótipo da vovozinha ou vovozinho encurvados, andando com auxílio de bengalas e cabelos brancos como algodão, preciso te contar que você está bem fora da realidade.

A expectativa de vida do brasileiro chegou a 76,6 anos em 2024, o maior índice já registrado desde 1940, quando começa a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E a tendência é que esse número continue em crescimento, passando de 77 anos já em 2030.

Tal longevidade está acompanhada de uma mudança no perfil social, com maior busca por qualidade de vida e autonomia, o que gera impactos diretos e imediatos em diferentes áreas, incluindo a economia.

O setor imobiliário é um bom exemplo disso. Depois de décadas pensando em imóveis para atender famílias com filhos pequenos, que buscavam estabilidade, segurança e espaço, construtoras e incorporadoras agora investem em imóveis mais funcionais, com foco em apartamentos, condomínios e serviços destinados a pessoas com mais de 50 anos.

Levantamento realizado pela Brain Inteligência Estratégica e a Caio Calfat Real Estate Consulting sobre residências sênior (ou senior living) do país destaca que 37% dos entrevistados têm interesse em morar ou investir em empreendimentos voltados ao público maduro, e apenas 12% cogitaram a possibilidade de viver em instituições especializadas, o que demonstra que a mudança no mercado imobiliário não é sobre o futuro, mas sobre o presente.

Apesar de os diferenciais para atender ao público maduro aumentarem o ticket médio do metro quadrado de 20% a 40% em relação a outros imóveis, especialistas do setor acreditam que exista uma defasagem em senior living no país que pode chegar a 1,2 milhão de unidades, sobretudo por se tratar de uma demanda pautada em uma pressão demográfica inevitável. Hoje, o Brasil possui cerca de 54 milhões de pessoas com mais de 50 anos, que movimentam aproximadamente R$ 1,8 trilhão por ano.

tadeu carvalho corretor de imoveis em lauro de freitas

Tadeu Carvalho, corretor de imóveis com mais de 24 anos de atuação em Lauro de Freitas, já percebe essa mudança no mercado local. Segundo ele, pessoas acima dos 50 anos estão buscando imóveis mais práticos, seguros e com menor necessidade de manutenção. “Acho que a palavra de ordem hoje é praticidade, e Lauro de Freitas tem acompanhado essa tendência. O público maduro procura, principalmente, imóveis mais compactos e funcionais, como casas térreas ou apartamentos com 2 ou 3 quartos. A localização também pesa bastante: estar perto dos serviços essenciais, que facilitam muito o dia a dia, e morar perto da praia e de espaços onde possam caminhar, praticar exercícios e manter uma rotina mais independente. Então, mais do que escolher apenas o imóvel, esse público avalia todo o entorno. A ideia é encontrar uma moradia que proporcione autonomia, segurança, convivência social e qualidade de vida.”

Envelhecer em casa …

Para Roberta Mathias, arquiteta e urbanista especialista em arquitetura residencial e interiores, para atender ao público de 50, 60 e 70 anos de idade, a mudança no olhar deve acontecer desde a concepção do projeto, para que, além de cumprir os critérios de acessibilidade, as pessoas consigam permanecer em suas casas por mais tempo, com segurança, conforto e autonomia.

“Inclusive, mesmo quando o cliente é jovem, já procuramos pensar em soluções que façam sentido no futuro. A expectativa de vida aumentou, e a ideia é criar casas que acompanhem as diferentes fases da vida, evitando reformas desnecessárias mais adiante.”

Esse novo olhar defendido por Roberta faz parte da tendência “aging in place”, que trata da possibilidade de as pessoas envelhecerem em suas próprias casas, com segurança e independência.

Trata-se de uma tendência mundial, impulsionada, principalmente, pelas mudanças demográficas — famílias menores, divórcios e o aumento da expectativa de vida, com qualidade —, que levam pessoas a repensar tanto sua moradia atual quanto a forma como desejam viver essa fase da vida.

Não se trata apenas de gerar segurança, mas de permitir que as pessoas tenham autonomia e possam viver sozinhas por mais tempo. Neste ponto, ter fácil acesso, principalmente a pé, a farmácias, comércios e academias, bem como a espaços de lazer e convívio social integrados ao paisagismo, é por vezes até mais importante do que a metragem da moradia.

vitoria baqueiro corretora de imoveis em lauro de freitas

A corretora de imóveis, Vitória Baqueiro tem observado uma forte tendência de migração, especialmente em Vilas do Atlântico: casas grandes e com alta demanda de manutenção, casas em alamedas e casas soltas (fora de condomínio), com vários andares, muitos quartos, área de lazer própria e bastante jardim, estão sendo vendidas.

“Esses clientes construíram suas casas há muitos anos e, hoje, o imóvel se tornou excessivamente grande e pouco funcional. Atualmente, esse público busca migrar para villages ou apartamentos mais compactos e práticos”, conta.

Mais do que um imóvel, Vitória percebe que o público 50+ procura um ambiente que acompanhe essa nova fase da vida. Dentre as características exigidas estão: boa acessibilidade, planta funcional, elevador ou poucas escadas, academia, ambientes bem iluminados e ventilados, além da proximidade de serviços essenciais, como supermercados, farmácias, hospitais e áreas de lazer.

No caso dos imóveis em Vilas do Atlântico, há também o destaque para plantas amplas e bem divididas, condomínios que proporcionem bem-estar, convivência e qualidade de vida, além da proximidade com a praia.

“Lauro de Freitas, em especial Vilas do Atlântico, reúne características que favorecem um estilo de vida mais prático e independente, com imóveis próximos a farmácias, supermercados, clínicas, academias, restaurantes e áreas para caminhadas, permitindo que muitas atividades do dia a dia sejam realizadas a pé. Essa facilidade, aliada à qualidade de vida proporcionada pela proximidade com a natureza e a orla, e o investimento de incorporadoras e construtoras, com lançamentos imobiliários de alto padrão, tanto em prédios como em villages, faz do município uma excelente opção para o público maduro, seja para moradia ou investimento”, conclui.

…com autonomia

roberta mathias arquiteta em lauro de freitas

Na prática, Roberta destaca que as modificações podem ser percebidas desde as plantas, que estão mais funcionais, com boa iluminação, circulação sem obstáculos e banheiros preparados para futuras adaptações. “Os acabamentos têm impacto direto na segurança e no conforto. Pisos antiderrapantes, boa iluminação e materiais de fácil manutenção fazem toda a diferença. E um ponto interessante é que hoje o mercado já oferece soluções muito mais bonitas. Barras de apoio, por exemplo, deixaram de ter apenas um aspecto hospitalar e passaram a fazer parte do projeto, com design sofisticado e integração à decoração.”

Outro elemento incorporado aos projetos é a tecnologia, com foco em gerar maior autonomia. “São sensores de presença, automação da iluminação, fechaduras eletrônicas, assistentes de voz e dispositivos de emergência que aumentam a segurança e trazem mais tranquilidade, tanto para quem mora quanto para a família.”

Com mais de 20 anos de atuação na área, Roberta frisa que a arquitetura também promove saúde. Pensando em longevidade, o mercado tem se deparado com um público maduro cada vez mais ativo, de modo que ambientes que incentivam a convivência, atividades físicas, contato com áreas verdes e espaços para aprendizado entram na lista dos requisitos para um novo imóvel.

Caso a compra ou construção de um novo imóvel não seja uma possibilidade, a arquiteta pontua algumas melhorias que podem ser feitas sem grandes reformas: “Retirar tapetes soltos, melhorar a iluminação, instalar barras de apoio, eliminar desníveis e facilitar a circulação já aumentam bastante a segurança. Também vale pensar em maçanetas do tipo alavanca, interruptores em alturas mais acessíveis e pequenas adaptações que preservem a autonomia. O mais importante é planejar a casa para o futuro, e não apenas para as necessidades do presente”, conclui.

Um bom lugar para envelhecer

Apesar do mercado imobiliário aquecido, o Brasil ainda está muito longe da essência do conceito senior living, se comparado a outros países onde projetos voltados à longevidade fazem parte da paisagem imobiliária, são, em sua maioria, independentes de instituições de saúde ou cuidados assistenciais e provocaram mudanças também na estrutura das cidades.

A referência mundial em residências sênior é o empreendimento The Villages, nos Estados Unidos. A comunidade, localizada no estado da Flórida, foi planejada para o bem-estar, lazer e saúde, com infraestrutura completa, serviços especializados e uma vida social ativa, para atender ao público acima dos 55 anos. O empreendimento comporta mais de 140 mil moradores com um estilo de vida focado na socialização e autonomia.

Hendrik Aquino (abaixo), especialista em Planejamento Urbano e Gestão de Cidades, acredita que o envelhecimento da população exige que as cidades deixem de pensar apenas em crescimento e passem a priorizar o desenvolvimento. “Crescer é aumentar a população e a economia; desenvolver é transformar esse crescimento em qualidade de vida.”

Segundo ele, trata-se de pensar o planejamento urbano com foco em acessibilidade, mobilidade segura, áreas verdes, serviços de saúde próximos, segurança, controle da poluição — especialmente a sonora — e proteção ambiental. “Países que hoje são referência começaram a se preparar décadas atrás, utilizando dados demográficos, urbanos e ambientais para orientar políticas públicas permanentes. No Brasil, ainda predominam ações voltadas para problemas imediatos, muitas vezes sem continuidade entre as gestões”, acrescentou.

hendrik aquino especialista em gestao publicada em lauro de freitas

Para Hendrik, em Lauro de Freitas, por exemplo, o fato de o município possuir a maior densidade demográfica da Bahia e o 7º maior PIB do estado (IBGE 2022) reforça a importância de utilizar dados técnicos para planejar o futuro da cidade.

“Lauro de Freitas tem potencial para ser uma excelente cidade para envelhecer, mas isso dependerá das escolhas que fizermos hoje e nos próximos anos. O município reúne realidades muito diferentes: bairros como Vilas do Atlântico, Buraquinho e Ipitanga apresentam características distintas de áreas como Itinga, Centro ou Vida Nova, que concentram maior adensamento populacional e demandas urbanas mais intensas. Essa diversidade exige planejamento para equilibrar mobilidade, acessibilidade, áreas verdes, segurança, controle da poluição sonora e oferta de serviços.”

Hendrik concorda que Vilas do Atlântico reúne características muito positivas para a longevidade com qualidade de vida; no entanto, o grande desafio do planejamento urbano de Lauro de Freitas é fazer com que essa qualidade não seja um privilégio de poucos bairros. “Quando uma localidade passa a ser vista como ‘uma cidade dentro da cidade’, ou quando moradores de bairros mais distantes dizem que vão ‘a Lauro’ para se referirem ao Centro, isso revela uma percepção de fragmentação do território. Uma cidade verdadeiramente desenvolvida é aquela em que todos os bairros oferecem oportunidades, serviços e espaços públicos de qualidade, fortalecendo o sentimento de pertencimento e integração entre seus moradores.”

Sobre mudanças no cenário atual, Hendrik convoca e reforça a importância da participação popular: “Em breve, a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) será uma oportunidade estratégica para decidir não apenas como Lauro de Freitas vai crescer, mas principalmente como a população deseja envelhecer. Planejar uma cidade para a longevidade é planejar uma cidade melhor para todas as gerações”, conclui.

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