2026 é um ano decisivo para o futuro do Estado brasileiro enquanto Estado Democrático de Direito. Como afirma o adágio popular, “chegou a hora de a onça beber água”. Da campanha das Diretas Já até o presente, muitos acontecimentos marcaram a trajetória nacional – dos mais simples aos mais dramáticos –, mas a democracia brasileira já não é uma criança, tampouco uma jovem inexperiente. São mais de quatro décadas de resistência diante das mesmas forças que historicamente se incomodam com a liberdade política, com a ampliação de direitos e com a construção de um Estado forte, voltado ao conjunto da sociedade.
Essa experiência histórica dificulta que o Brasil volte a mergulhar em aventuras políticas movidas pelo ódio ou pelo preconceito. O mundo passou por profundas transformações nas últimas décadas, e o país também foi atravessado por momentos de instabilidade. O impeachment da presidenta Dilma em 2016, a retirada de Lula da disputa eleitoral de 2018 e a ascensão de atores políticos despreparados e, por vezes, movidos por interesses antagônicos ao bem público contribuíram para um processo de regressão em diferentes áreas, com impactos institucionais, econômicos e sociais.
Entretanto, observa-se um movimento de reposicionamento do Brasil no cenário internacional e na agenda interna. O país volta a priorizar seu povo e a disputar espaços estratégicos no debate geopolítico global, reafirmando a importância do multilateralismo como instrumento de equilíbrio entre as nações. Sua participação na consolidação dos BRICS e no fortalecimento do G20 – fóruns que reúnem economias do Ocidente e do Oriente na mesma mesa de negociação – confere ao Brasil o papel de ator relevante na construção de uma possível nova ordem mundial, na qual a imposição pela força tende a perder legitimidade diante da cooperação e do diálogo.
Nesse contexto de rápidas transformações, torna-se evidente que quem não acompanha as mudanças históricas corre o risco de permanecer à margem. Um Estado forte é resultado direto de uma nação com povo fortalecido e governantes comprometidos com a soberania, a justiça social e a firmeza de propósitos.
No plano interno, a correlação de forças políticas no Congresso Nacional revela um cenário desafiador para os interesses populares. Tal dificuldade não se limita ao descompromisso programático, mas também se manifesta na carência de qualidade técnica e, em alguns casos, em comportamentos que tensionam princípios éticos e morais. Por isso, o debate sobre a importância do voto para a renovação e recomposição das casas legislativas ganha centralidade, evidenciando um amadurecimento político da sociedade quanto à necessidade de sustentar e aperfeiçoar o Estado Democrático de Direito.
O Parlamento permanece como eixo fundamental desse mecanismo institucional. A construção de um projeto democrático sólido exige a combinação entre a experiência das gerações mais antigas, a energia transformadora das mais jovens e a diversidade que caracteriza a sociedade brasileira – elementos indispensáveis para que a democracia não apenas sobreviva, mas avance em profundidade e qualidade.
Por fim, a leitura desse cenário histórico e político aponta para a necessidade de continuidade de um projeto democrático e socialmente comprometido. Nesse sentido, a permanência de diretrizes representadas pelos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Jerônimo Rodrigues se apresenta como elemento de estabilidade institucional e avanço social. Contudo, tal continuidade só se concretiza plenamente com um Parlamento que atue em favor do povo, comprometido com a redução das desigualdades, a defesa dos direitos e o fortalecimento do Estado Democrático de Direito, garantindo que as demandas populares se traduzam em políticas públicas efetivas e transformadoras.


