“Eu vejo o futuro repetir o passado”. A frase da canção de Cazuza parece ter sido escrita para nossa cidade. Porque, quando o assunto é preservação da memória, seguimos andando em círculos entre promessas, discursos e esquecimentos.
O amigo jornalista Accioli Ramos, diretor-editor da Vilas Magazine, veículo de comunicação que atravessa décadas de tradição em nosso município, sendo uma das mais valorosas vozes do nosso povo, me convidou a revisitar e atualizar um artigo que escrevi há alguns anos sobre a importância da preservação da memória histórica e cultural de Lauro de Freitas.
O fato é que reli o artigo e assustadoramente ele está atual. Nada mudou em relação à preservação da nossa história ou à criação de projetos sérios nesse sentido. A gestão atual prometeu, promete e ainda não entregou ações concretas voltadas à preservação da memória, mesmo tendo uma prefeita nativa, assim como eu e talvez você que lê este artigo.
Um território que carrega mais de 400 anos de história, antiga Freguesia de Santo Amaro de Ipitanga, segue apagado dentro das escolas públicas e privadas. E fica a pergunta: de quem é a culpa?
A resposta sobrevive na ausência de políticas públicas sérias, permanentes e comprometidas com a preservação das nossas raízes. Lauro de Freitas precisa de ações concretas, projetos contínuos e da criação de um Núcleo de Patrimônio Histórico e Cultural composto por profissionais qualificados para cuidar exclusivamente dessa pauta.
Cadê o museu? Cadê o Núcleo do Patrimônio Cultural? Cadê a requalificação do Centro Histórico? Cadê os vereadores nessa discussão? Aliás, cadê até mesmo uma Câmara Municipal própria?
Márcio Wesley, jornalista, professor e conselheiro municipal de cultura, cadeira do Patrimônio Cultural


