“Lutar por museus e arquivos tem sido uma luta inglória preservando o passado. Vamos mudar essa história e transformar nossa Lauro de Freitas na Cidade da Memória”

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Em 31 de julho, o município de Lauro de Freitas completa 64 anos de emancipação política. Como acontece todos os anos, provavelmente teremos desfile de escolas, caminhada cultural, missa festiva, shows, algumas inaugurações, beijos e abraços em profusão.

Como já estamos em plena campanha eleitoral, mais uma vez os partidos políticos ocuparão também as ruas centrais da cidade, prometendo o melhor.

No entanto, o dia seguinte nos reserva encarar a triste e vergonhosa realidade de apesar de apresentarmos os maiores índices de desenvolvimento econômico, social e populacional, não possuímos um Centro de Memória Municipal, que abrigaria ao mesmo tempo, um museu, uma biblioteca e um arquivo histórico.

Enquanto isso, o nosso patrimônio cultural vai se dilapidando por falta da contratação de profissionais que seriam responsáveis por tão vastos acervos que não se perderam ainda totalmente, graças à dedicação de alguns abnegados que os preservam basicamente com recursos próprios.

A atividade de pesquisador me tem levado a realizar muitas viagens pelo país e também por esse mundo afora, onde tenho tido a oportunidade de observar a tendência mundial de preservação dos centros históricos e requalificação de áreas degradadas em geral.

A constatação é que estamos na contramão dessa tendência mundial que verifiquei no Chile, México, Suíça, Áustria, Itália, Portugal, Espanha, Alemanha e diversos outros países por onde tenho andado.

O estado de degradação do nosso centro histórico é deprimente e não tenho conhecimento de qualquer projeto que esteja em andamento que nos anime a fazer investimentos na região.

Ainda assim, nós da Ong Arcas de Ipitanga e do Polo de Atores e Dramaturgia de Lauro de Freitas, temos alugado desde o ano passado, um espaço localizado na Praça da Matriz, próximo ao Cine Teatro, reconhecido como Ponto de Cultura e Memória, onde modéstia a parte, heroicamente atendemos a comunidade, através de consultorias, oficinas, reuniões e hospedagens de grupos culturais de outros municípios e de outros estados, que aqui se apresentam, a exemplo do que ocorreu no Encena Lauro – Encontro Nacional de Teatro, que reuniu aqui grupos teatrais de diversos estados.

O aluguel e demais custos são mantidos com dinheiro do nosso bolso, ajuda de amigos simpatizantes da cultura ou recursos de editais e premiações que vez por outra, nos contemplam.

A venda de ingressos para os espetáculos do Pólo de Atores e venda de cordéis que produzo, são outras fontes que utilizamos para cobrir as despesas.

Não poderia deixar de ressaltar a parceria com o Governo do Estado através da Fundação Pedro Calmon, que me tem incentivado a divulgar a história, memória e cultura do nosso município, como aconteceu recentemente na Bienal do Livro, quando realizei uma venda relevante de dezenas de cordéis de minha autoria, para a maior biblioteca do mundo, que é a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que a partir de agora inclui em seu importantíssimo acervo, parte da nossa obra.

GILDASIO FREITAS é escritor, cordelista, pesquisador, memorialista e historiador. Sócio efetivo do IGHB – Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro fundador da ALALF – Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas, onde ocupa a cadeira número 1.

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