TRATAMENTO DE VARIZES: Parte 1 – Métodos modernos e pouco invasivos

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As varizes são veias dilatadas e tortuosas que surgem principalmente nas pernas devido à dificuldade do sangue em retornar ao coração. Embora muitas pessoas associem o problema apenas à estética, a doença venosa crônica pode causar sintomas importantes, como dor, sensação de peso, inchaço, queimação, cansaço nas pernas e, em casos mais avançados, alterações na pele e úlceras. Felizmente, os avanços da medicina vascular transformaram o tratamento das varizes nas últimas décadas, oferecendo métodos modernos, seguros e pouco invasivos, com recuperação rápida e excelentes resultados estéticos e funcionais.

O surgimento das varizes está relacionado ao mau funcionamento das válvulas presentes dentro das veias. Essas válvulas têm a função de impedir que o sangue volte para baixo por ação da gravidade. Quando deixam de funcionar adequadamente, ocorre acúmulo de sangue nas pernas, aumentando a pressão venosa e provocando a dilatação dos vasos. Fatores genéticos têm forte influência, mas sedentarismo, obesidade, gravidez, uso de hormônios, envelhecimento e longos períodos em pé ou sentado também contribuem para o problema.

Durante muitos anos, o tratamento mais conhecido foi a cirurgia convencional de retirada da safena, realizada com cortes maiores, anestesia mais ampla e recuperação prolongada. Embora ainda tenha indicação em alguns casos específicos, atualmente existem alternativas menos traumáticas, com menor dor pós-operatória e retorno mais rápido às atividades diárias. A tendência da cirurgia vascular moderna é tratar as varizes de forma personalizada, combinando tecnologia, precisão diagnóstica e técnicas minimamente invasivas.

O primeiro passo para definir o melhor tratamento é a avaliação com o cirurgião vascular ou angiologista. O exame clínico é complementado pelo ultrassom Doppler venoso, exame fundamental para mapear as veias comprometidas e identificar refluxos venosos. Esse estudo permite compreender a origem das varizes e escolher a abordagem mais adequada para cada paciente.

Entre os tratamentos modernos mais utilizados atualmente está a escleroterapia com espuma. Nesse método, uma substância esclerosante é misturada com ar ou gás e transformada em espuma, sendo injetada diretamente nas veias doentes. A espuma provoca uma irritação controlada na parede interna do vaso, levando ao fechamento da veia tratada. Com o tempo, o organismo reabsorve essa veia naturalmente.

A escleroterapia com espuma apresenta diversas vantagens. O procedimento é realizado em consultório, geralmente sem necessidade de anestesia ou internação. O paciente pode caminhar logo após a aplicação e retornar rapidamente às suas atividades. Além disso, o método pode ser utilizado em veias de diferentes calibres, inclusive em pacientes idosos ou com contraindicações cirúrgicas. Outra vantagem importante é o custo mais acessível em comparação com técnicas mais complexas.

Apesar de eficiente, a espuma exige avaliação criteriosa. Em alguns casos podem ocorrer manchas temporárias na pele, endurecimento da veia tratada ou necessidade de sessões complementares. Também é importante seguir corretamente as orientações médicas, incluindo o uso de meias de compressão quando indicado.

Outro avanço revolucionário no tratamento das varizes é o uso do laser endovenoso. Essa técnica substituiu, em muitos casos, a cirurgia convencional da safena. O procedimento consiste na introdução de uma fibra de laser dentro da veia doente, guiada por ultrassom. A energia térmica emitida pelo laser aquece a parede da veia, promovendo seu fechamento definitivo.

O laser endovenoso apresenta alta taxa de sucesso e recuperação bastante rápida. Como o procedimento é feito por pequenas punções, praticamente não há cortes nem cicatrizes significativas. O desconforto pós-operatório costuma ser menor em comparação à cirurgia tradicional, permitindo retorno precoce ao trabalho e às atividades habituais. Além disso, há menor risco de hematomas e complicações.

Uma técnica semelhante é a radiofrequência endovenosa. Em vez da energia do laser, utiliza ondas de radiofrequência para aquecer e fechar a veia insuficiente. Os resultados são comparáveis aos do laser, com excelente eficácia e baixo índice de complicações. A escolha entre laser e radiofrequência depende da experiência da equipe médica, características anatômicas do paciente e disponibilidade tecnológica.

MANOEL GOES, médico angiologista e cirurgião vascular (CRM 13792)

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