Banda do Habeas Copos celebra 47 anos no carnaval da Barra

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historia do carnaval na bahia

A saída dos blocos acústicos (bandinhas), na quarta-feira, 26/2, no 5º dia do pré-carnaval de Salvador, na Barra, foi bem farta, com mais de trinta bandas, um bom sintoma de promissor futuro desse tipo de carnaval inclusivo com base retrô das marchinhas e aglutinador da multidão bem-comportada. Entretanto, vez por outras, as bandinhas eram asfixiadas pela música eletrônica de DJ’s instalados no quiosque-Beat (patrocinado) que no Farol, fez a Banda do Habeas Copos calar no circuito Sérgio Bezerra e seguir silenciosa, em fila quase indiana, e refazer-se voltando a tocar em frente ao edifício Oceania.

Quanta ironia simbólica no seu 47º aniversario de vida carnavalesca desta banda persistente em viajar no tempo. Mas um bom Bezerra, não berra e avança com essa ideia de fazer um carnaval agradável, acústico e familiar no espaço da Barra, já cansada das toneladas eletrônicas impositivas dos trios.

Esse circuito Sergio Bezerra parece carecer de uma intervenção cirúrgica da Saltur para colocar “stents” de alargamento para circulação das bandas e foliões analógicos. Caso contrário, o infarto dessa iniciativa acústica, parece ter morte anunciada pelos quiosques-camarotes sonoros digitais, que aprisiona em baias, tribos musicais sexualizadas e invade as artérias do folião, e, com anuência da Saltur que sinaliza não estar muito convencida com esse tipo de carnaval, o “neo-acústico” , de bandas de sopro. É um tipo de carnaval mais rico de ritmos e poesia musicada e bem harmonizado com a multidão presente e que se nota agradar a gregos e baianos ao ponto da ausência de policiamento no circuito não foi notada por muitos e sem maiores problemas.

Policiamento só no “check-point” de entrada, no Porto da Barra e em duas patrulhas de três policiais cada, na rua de “check-out”, Miguel Burnier, uma babel das ubers e motos tão confusa quanto uma bolsa de valores.

Apesar da ampla e farta oferta de bebidas, a galera jovem estava sedenta de animação e viu as bandas passarem cantando coisas diversas que até o quiosque musical da Beat foi convidado a parar pra ver velha guarda desfilar na avenida restringida pela multidão de foliões, um truck-trio-elétrico já posicionado para o dia seguinte e caminhões de limpeza pública no final do circuito perto do restaurante Barravento.

Já é carnaval, cidade… acordem a Saltur para repaginar a Barra, para em 2026, como um novo espaço de animação turístico-cultural agregador de moradores e visitantes em boa harmonia e limpa.

Axé babá.

Sérgio Barbosa é administrador de empresas e ex-diretor da Bahiatursa.

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