Brasil registra primeiras mortes do mundo da febre oropouche

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casos de doenca foram registradas na bahia

O Ministério da Saúde confirmou, no final de julho, duas mortes por febre oropouche na Bahia, além da investigação de uma terceira, no Paraná. Até o momento, não havia relato na literatura científica mundial sobre a ocorrência de óbito pela doença. De acordo com levantamento feito em 29/7, pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), subiu para 839 o número de casos da febre Oropouche na Bahia. A região do Recôncavo baiano apresenta novos casos. Em São Felipe, foram nove registros suspeitos da doença. Cachoeira, 1 caso confirmado; Maragojipe, 3 casos confirmados; Santo Antônio de Jesus, 14 casos confirmados; Nazaré, 2 casos confirmados; Muniz Ferreira, 14 casos confirmados; Castro Alves, 1 caso confirmado e Conceição do Almeida, 1 caso confirmado.

A investigação dos casos foi feita pela Secretaria de Estado da Saúde da Bahia, que já havia registrado os óbitos, mas aguardava confirmação do Ministério da Saúde. Os casos foram registrados em duas mulheres de 21 e 24 anos, que não eram gestantes nem tinham comorbidades, nas cidades de Valença e Camamu, respectivamente.

Segundo a publicação, a primeira morte aconteceu no dia 27 de março, em Valença. A paciente começou a apresentar sintomas como febre, dor de cabeça, dores musculares, intensa dor abdominal, diarreia, náuseas, dor retro-orbital e vômitos no dia 23 do mesmo mês.

A segunda paciente teve início de sintomas como febre, mialgia, dor de cabeça, dor retroorbital, dor nos membros inferiores, astenia e dor nas articulações no dia 5 de junho. Quatro dias depois, desenvolveu uma erupção avermelhada e manchas roxas no corpo, bem como sangramento no nariz, gengiva e vaginal. Ela residia em Camamu, mas faleceu no dia 10 de maio em Itabuna.

Neste caso, após uma investigação epidemiológica, descobriu-se que o avô da paciente apresentou uma doença febril aguda 20 dias antes de a paciente começar a apresentar sintomas e testes sorológicos, que mostraram que ele tinha evidências de infecção recente pelo vírus Orov.

Estão ainda em investigação seis casos de transmissão vertical (de mãe para filho) da infecção da febre do oropouche. São três casos em Pernambuco, um na Bahia e dois no Acre. Dois casos evoluíram para óbito fetal, houve um aborto espontâneo e três casos apresentaram anomalias congênitas, como a microcefalia.

A febre oropouche

A febre oropouche é uma infecção causada pelo vírus Orthobunyavirus oropoucheense, transmitida principalmente pelo mosquito Culicoides paraenses, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, na região amazônica. O quadro clínico é semelhante ao da dengue e da chikungunya e os sintomas são dor de cabeça, dor muscular e articular, febre, tontura, dor atrás dos olhos, calafrios, fotofobia, náuseas e vômitos. Assim como a dengue, que bateu o recorde da série histórica de casos e mortes em 2024, a febre oropouche também vive uma alta neste ano no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, foram confirmados 7.236 casos, o que já representa uma subida de 766,6% em relação ao acumulado de todo o ano de 2023, quando foram 835.

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