SEMANA DO MEIO AMBIENTE: Chuvas de maio revelam rastro de poluição nas praias de Lauro de Freitas; microplásticos se destacam

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microlixo toa conta das praias de lauro de freitas

Um mutirão, organizado pelo Projeto Essa Praia Também é Minha, reuniu moradores e voluntários para limpar a Praia de Buraquinho, em Lauro de Freitas, no dia 24 de maio. Nesta, que foi a 32ª edição do projeto, o que chamou a atenção foi a faixa contínua e interminável de resíduos exatamente na linha de onde a maré vira, sobretudo de plásticos e microplásticos, por toda a extensão da praia.

microlixo toa conta das praias de lauro de freitas

“Todo lixo descartado no local errado, vai para o mar. E neste período de chuvas, esse fenômeno se torna muito visível, pois a chuva passa pela cidade fazendo uma grande varredura. Desde o acúmulo de lixo produzido durante o verão, até aquele papelzinho de bala que você viu alguém jogando pela janela do carro ou do ônibus ou aquela tampinha de garrafa que caiu e você não se abaixou para pegar”, conta Rodrigo Chetto, organizador do projeto.

Os impactos provocados pelos resíduos plásticos e microplásticos preocupam, e o Brasil aparece no 8º lugar do ranking dos maiores poluidores do planeta, despejando cerca de 1,3 milhão de toneladas de lixo plástico por ano nos mares, afetando diretamente a fauna marinha e também a saúde da população.

Segundo o relatório “Fragmentos da Destruição: Impacto do Plástico na Fauna Marinha Brasileira”, que reúne informações sobre a poluição plástica no Brasil, 98% dos peixes amazônicos analisados tinham resíduos de microplásticos no intestino ou nas brânquias.

“Estudos estimam que em 2030 teremos um quilo de plástico para cada três quilos de peixes presente no oceano, e que em 2050 esses valores serão equivalentes. Lembrando que o peixe é alimento, ou seja, nossas ações nos tornam suscetíveis a ingerir microplásticos”, reforça Rodrigo.

O relatório aponta ainda para a poluição de plásticos dos rios, com concentração superior ao encontrado nos mares, resultado de anos má gestão global de resíduos sólidos urbanos. Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE, o que é coletado para reciclagem, cerca de 15%, infelizmente é menor do que acaba no meio ambiente (22%). Estima-se que os rios sejam responsáveis por 80% do que vai parar nas águas marinhas.

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“Quando falamos na poluição do nosso corpo hídrico, nascentes, afluentes, rios e o mar, temos que ampliar o olhar para além do resíduo que é deixado diretamente na praia ou do esgoto que é despejado de forma irregular. Em Lauro de Freitas, o rio Ipitanga, que corta toda a cidade, recebe um grande acúmulo de resíduos plásticos, levados pelo vento e pela chuva. Toda essa carga infelizmente acaba no rio Joanes, o que tem gerado consequências devastadoras”.

Mesmo com a varredura das praias, realizada constantemente pela gestão municipal, na ação do dia 24/5, foram coletados 24 kg de microlixo, entre eles microplásticos e bitucas de cigarro.

O projeto Essa Praia Também é Minha foi criado em 2022 com objetivo de promover educação ambiental nas praias de Lauro de Freitas. Desde então, foram realizadas 32 ações, com a participação de mais de mil voluntários e a retirada de mais de 1,57 tonelada de microlixo do meio ambiente.

Para este mês, dedicado a diversas ações de preservação do meio ambiente, está previsto mais um mutirão, no dia 7/6 na praia de Vilas do Atlântico e até setembro, outros três – 26/7, na praia de Ipitanga, 16/8, na praia de Buraquinho e 20/9, Dia Mundial da Limpeza de Praias, em Vilas do Atlântico. Para saber mais sobre o projeto acesse @limpezadepraia.

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