Os impactos da poluição nos rios que cortam a cidade são visíveis, há anos são registradas nas páginas da Revista Vilas Magazine e são a pauta central da OSCIP Rio Limpo (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), que há 16 anos atua em defesa do rio Joanes, com olhar atento ao meio ambiente e também à população que depende dos rios como fonte de sobrevivência, a exemplo dos pescadores e marisqueiras, bem como os moradores das áreas ribeirinhas.
O rio Ipitanga nasce em Simões Filho, passa por Salvador, até desaguar no rio Joanes. Abriga, desde a década de 1930 a barragem do Ipitanga 1, que abastece a cidade de Salvador, e por toda sua extensão é impactado pelos efeitos do crescimento demográfico e a urbanização, com diversos canais de lançamento de resíduos, inclusive efluentes industriais.
Já o rio Sapato (foto), que passa pelos bairros de Ipitanga e Vilas do Atlântico, é constantemente tomado pelas baronesas, espécie de planta aquática invasora que se proliferam rapidamente em ambiente com poluição.
Todos esses resíduos vão desaguar no rio Joanes, que possui cerca de 245 km de extensão de curso d’água, cortando os municípios de São Francisco do Conde, Candeias, São Sebastião do Passé, Dias D’ Ávila, Camaçari, Simões Filho, Salvador e Lauro de Freitas, e representa cerca de 40% da água potável fornecida à Salvador e parte da Região Metropolitana.
Desde o início de 2025, a OSCIP Rio Limpo atua no objetivo da criação do Consórcio Interfederativo dos Municípios da Bacia do Joanes-Ipitanga (leia abaixo), um grupo de trabalho com força política, técnica e crítica, capaz de cobrar e viabilizar recursos para revitalização dos Rios da Bacia do Joanes-Ipitanga.
“Os 8 km de rio, que vão da barragem do Joanes até a praia de Buraquinho, estão mortos. São mais de 600 famílias impactadas, que viviam da pesca e do marisco. Então é urgente promover a gestão integrada e a sustentabilidade dos nossos recursos hídricos, com a colaboração da União, do Estado e dos municípios, para o planejamento, a regulação, a fiscalização e a preservação dos recursos hídricos da Bacia”, pontua Fernando Borba (foto abaixo), presidente da OSCIP Rio Limpo, durante a 1ª Conferência Municipal do Dia da Água, realizada em março deste ano.
A iniciativa conta com o apoio de gestores municipais, sociedade civil e pesquisadores.


