É atribuída a Friedrich Nietzsche (filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor prussiano do século 19, nascido na atual Alemanha) a seguinte frase: “Quanta verdade consigo suportar?”. Uma frase aparentemente simples mas reveladora aos que não se deixam levar apenas pelas aparências e superficialidades.
Infelizmente boa parte da população ainda é ignorante a ponto de não reconhecer a necessidade de estudos básicos – independente dos oferecidos nas escolas e academias. A internet, ferramenta poderosíssima, é utilizada em grande parte para troca de futilidades e distrações. No entanto, a frase de Nietzsche pode ser mais facilmente compreendida. Quem não se lembra do ditado “A verdade dói”?
Dói ter que encarar a verdade e abandonar velhos conceitos. Não é fácil dar o braço a torcer e reconhecer que o que acreditávamos durante anos ou por quase toda a vida não é mais verdade. Talvez nunca tenha sido. Para muitos, tal dor é tão insuportável que preferem a ilusão de continuar acreditando no que não é verdade ainda que, lá no fundo, sintam outra dor, causada por uma espécie de “auto traição”.
Encarar a verdade não é fácil. Mudar não é fácil. É preciso ter muita coragem e força de vontade para se despir de “velhas roupas que não nos servem mais”, como diz a letra de Belchior Velha Roupa Colorida: “…No presente, a mente, o corpo é diferente e o passado é uma roupa que não nos serve mais…”. Na mesma letra, Belchior chama a atenção para a necessidade de rejuvenescermos. “… Você não sente nem vê mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança em breve vai acontecer, e o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer.”
Em outra letra, Como Nossos Pais, musicada e cantada por muitos admiradores do saudoso músico, ele deixou mais uma mensagem que merece ser também considerada: “…Você pode até dizer que eu tô por fora, ou então que eu tô inventando, mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem…”.
Se você leu este texto até aqui é porque algo está lhe incomodando a ponto de, assim como eu, dedicar um precioso tempo em busca de respostas. Tais respostas podem não nos agradar muito, mas, e se forem verdade? Estaríamos dispostos a mudar os nossos conceitos ou é preferível deixar de fazer as perguntas? “Quanta verdade consigo suportar?” (Friedrich Nietzsche).
Toda nossa experiência de vida nos trouxe até aqui. É graças a ela que somos o que somos, porém, podemos ser muito mais se aceitarmos o maravilhoso e recompensador desafio de mudar e continuar mudando, cada vez mais.
Hendrik Aquino, designer, jornalista, especialista em Planejamento Urbano e Gestão de Cidades, mestrando em Desenvolvimento Regional e Urbano pela Unifacs.


